Você vende no Mercado Livre, Shopee ou outra plataforma e está pensando em abrir um CNPJ. A primeira pergunta que aparece é quase sempre a mesma: MEI resolve? ou já preciso de algo maior?
Para a maioria de quem está começando ou tem volume ainda pequeno, o MEI é o ponto de partida certo — simples, barato, e suficiente para operar de forma regular. Mas existem situações em que o MEI não cabe, e entender esses limites desde o início evita ter que mudar tudo no meio do caminho.
Esses são os limites que mais causam surpresa:
| Limitação | O que isso significa na prática |
|---|---|
| Limite de R$ 81 mil/ano de faturamento | Cerca de R$ 6.750/mês. Ultrapassar gera consequências — desde DAS complementar até desenquadramento retroativo. |
| Não pode ter sócios | MEI é individual — se quiser dividir o negócio formalmente com alguém, precisa de outro formato. |
| Máximo 1 funcionário | Pode ter um empregado com salário mínimo ou piso da categoria. Mais do que isso, precisa de ME. |
| Algumas atividades são vedadas | Importação direta, algumas categorias de produtos e serviços específicos não se enquadram no MEI — vale verificar o CNAE antes de abrir. |
O limite de R$ 81 mil é sobre o faturamento bruto total — não sobre o lucro. Se você vende R$ 100 mil em produtos mas tem R$ 70 mil de custo, seu faturamento ainda é R$ 100 mil para fins de MEI. É um erro comum confundir faturamento com lucro aqui.
O MEI resolve o problema mais imediato: ter CNPJ para operar nas plataformas, emitir nota fiscal, e pagar imposto de forma previsível e barata. Para quem está construindo o negócio, esse é o ponto de partida natural.
A migração para ME (Microempresa) acontece quando o negócio cresce além dos limites do MEI — seja em faturamento, seja em complexidade operacional (mais funcionários, importação direta, múltiplos sócios). E essa migração, quando bem planejada, não precisa ser traumática.
Se você está chegando perto de R$ 5.000-6.000/mês de faturamento de forma consistente, vale começar a conversar sobre a transição antes de precisar. A migração de MEI para ME, quando feita com antecedência, é bem mais tranquila do que quando feita às pressas porque o limite foi ultrapassado.
Dois pontos relevantes para quem vende em marketplace valem atenção:
Sim — o faturamento de todas as plataformas é somado para fins de limite do MEI. Se você vende no Mercado Livre e na Shopee ao mesmo tempo, os dois faturamentos contam juntos para o teto de R$ 81 mil/ano.
Depende de como o dropshipping está estruturado. Se você age como intermediário sem estoque próprio, a atividade pode ou não se enquadrar no MEI dependendo do CNAE e do modelo exato. Vale verificar com um contador antes de começar.
A importação direta (você como importador) não é permitida para MEI. Comprar de distribuidores ou representantes no Brasil que importaram é diferente — isso é possível. Mas se a ideia é importar diretamente do exterior, o MEI não é o formato adequado.
Os sinais mais claros são: faturamento consistentemente acima de R$ 5.000-6.000/mês (se aproximando do limite anual), necessidade de contratar mais de um funcionário, interesse em importar diretamente, ou necessidade de ter sócios. Qualquer um desses pontos justifica uma conversa sobre a transição.
O simulador de crescimento mostra como fica a tributação comparando MEI e ME no seu nível de faturamento atual — útil para entender quando a transição começa a fazer sentido financeiro.
Simular MEI vs ME no meu faturamento →Este artigo tem finalidade informativa e não substitui análise contábil individualizada. Cada operação tem particularidades — consulte um contador antes de tomar decisões. Leia o aviso completo.